Publicidade Novo Hamburgo Não é só a crise: comerciantes e comerciários ocupam vagas de estacionamento e vão perdendo clientes

Na Rua Joaquim Nabuco, no trecho do bairro Rio Branco, a cena se repete diariamente: enfileirados quase que sempre na mesma posição figuram os veículos do proprietário de um comércio e de seu funcionário. E ali ficam o dia inteiro. Na Rua Lima e Silva é o gerente de uma loja que tem seu espaço VIP e deixa o carro por horas sem ser atormentado. Na Rua Mariano de Mattos, um comerciante tira espaço dos seus clientes com o carro praticamente em frente à loja. Na Avenida Pedro Adams Filho tem mais um caso envolvendo gerente de estabelecimento de saúde. Todos esses são relatos confirmados com vários dias de observação e auxílio de leitores do Portal Martin Behrend.

Cientes de que a fiscalização da Faixa Nobre não funciona desde o governo Luis Lauermann (PT) e continua na mesma neste início de governo Fátima Daudt (PSDB), comerciantes e comerciárias do Centro de Novo Hamburgo engrossam a lista de obstáculos que reflete na queda nas vendas do comércio e fechamento de lojas. Eles acabam afastando clientes que não encontram lugar para estacionar e não querem pagar por um estacionamento particular. As vagas estão escassas, já que há um verdadeiro loteamento de espaços pelos mesmos ocupantes. Sem vagas no Centro, os clientes estão indo para comércios de bairro, supermercados, centros de compras ou, até mesmo, outros municípios. Sem falar na concorrência com o comércio eletrônico e site de compras.

Ressalte-se: não são todos! Muitos comerciantes e comerciários respeitam as regras e alguns estabelecimentos da região central buscam parcerias com estacionamentos para criar alternativas. Ou seja, quem quer arruma uma solução positiva.

Em janeiro deste ano a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Novo Hamburgo criou a campanha “Se tem vaga, tem venda”. Foi feita divulgação pelo Portal Martin Behrend: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…. O objetivo principal da campanha é fazer com que empresários/comerciantes e funcionários tenham consciência que ao estacionarem os próprios veículos durante horas a fio estão afastando clientes. A mobilização, contudo, está sendo ignorada pelos maiores interessados: comerciantes e comerciários da região central. Além disso, se percebe que a maioria dos motoristas nem cartão da Faixa Nobre coloca nos carros. É um salve-se quem puder.

estacionamento rotativo – conhecido como Faixa Nobre – compreende cerca de 1.800 vagas. O sistema está enfraquecido pela redução de fiscais e falta de critérios para fiscalização e punição. O governo Fátima Daudt já anunciou que haverá mudanças no sistema, mas por enquanto não se definiu se haverá parquímetros ou qual sistemática será adotada. Enquanto ninguém cuida, o brasileiro coloca em prática uma de suas maiores virtudes: a malandragem e a eterna vontade de burlar o sistema.

Agora, fica o recado para comerciantes e comerciários: não adianta jogar a culpa na crise se não fazem a sua parte, que é abrir espaço para clientes. Essa “esperteza” é um tiro no é. Enquanto deixam o Centro loteado pelos próprios carros, comerciantes e comerciários incentivam a migração de compradores para outros endereços. E isso já vem acontecendo há algum tempo.